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DOENÇA DE CROHN

Doença de Crohn é um processo inflamatório crônico que envolve o trato gastrintestinal, afetando mais freqüentemente o íleo terminal e o intestino grosso. A doença tem comportamento variável (é de variável gravidade) o que faz com que o paciente sinta longos períodos de remissão - épocas sem sintomas - e outros em que sofre todos os prejuízos da atividade da doença, e não há como fazer previsão de cada uma dessas fases.
Sintomas
Como a doença afeta qualquer parte do trata gastrintestinal, os sintomas podem variar, de paciente para paciente, de acordo com o segmento comprometido. Além disso, para uma mesma parte afetada a expressão da moléstia é diferente, pois depende do grau de comprometimento. Em geral, os sinais e sintomas mais comuns são cólicas, dor abdominal, diarréia, febre, perda de peso e distensão abdominal. Nem todos os pacientes experimentam todos esses sintomas e algumas pessoas com doença de Crohn pode não ter nenhum deles, ou evoluir com apenas um. Lesões de pele, dor articular (dores nas juntas), fístulas, fissuras perianais e abscesso ano-retal são outras manifestações da doença,
Faixa etária de incidência
Trata-se de doença do adulto jovem, embora ela possa aparecer em qualquer idade. A faixa etária mais comum de aparecimento da doença é entre os 16 e 40 anos de idade, tanto nos homens como nas mulheres, exibindo um forte caráter familiar (20% das pessoas com doença de Cröhn, tem um parente com problema semelhante, em geral irmão ou irmã). Há uma outra doença intestinal, também de caráter inflamatório, que pode ser confundida com a doença de Crohn - é a retocolite ulcerativa. Essa duas doenças, em alguns aspectos, são muito parecidas e, as vezes, indistinguíveis. A doença de Crohn tem incidência relativamente alta em alguns povos e é incomum em outros.
Causa
A causa da doença é desconhecida. As teorias atuais estão centradas em etiologias relacionadas ao sistema imunológico e/ou à agentes bacterianos. A doença não é contagiosa e tem um discreto caráter hereditário.
Diagnóstico
Pela maneira de manifestação, muito variada, o diagnóstico, em geral, é retardado. Os pacientes sofrem durante muitos anos, peregrinando de médico em médico, até que o diagnóstico finalmente seja feito. A história e o exame radiológico podem ser decisivos para o diagnóstico. A coloscopia é exame importante.
Tratamento
A fase inicial do tratamento é sempre clínica, com medicações específicas sem, no entanto, propiciar a cura. Alivia-se os sintomas, desaparecem os sinais, mas a doença é persistente. Antiinflamatórios esteroidais e não esteroidais são os medicamentos de escolha, associados à sulfassalazina (mais propriamente ao radical 5-asa, ligado à sulfapiridina). O Metronidazol é outra substância que tem lugar no tratamento. Invariavelmente, em alguma época da evolução da doença, o tratamento cirúrgico torna-se necessário. Isso afeta pelo menos 3/4 dos pacientes. Não é incomum as complicações tais como obstrução intestinal, fístulas entre alças intestinais e/ou a pele, sangramento excessivo, formações de abscessos, a despeito de tratamento clínico intensivo. A cirurgia não cura, mas alivia o sofrimento, as vezes por muitos anos. Isso é importante quando se trata de criança. O tratamento clínico deve ser feito por médico experiente o mesmo acontecendo com a cirurgia que, em geral, deve acabar envolvendo, de preferência, um coloproctologista, principalmente quando se trata de criança.

Júlio César M. Santos Jr. - Instituto de Medicina - Guaratinguetá, SP